Parlamento das Letras: Séchu Sende

Por Padrón, o vento arremuíña dende o Sarela e ouvea palabras que só algúns espíritos sutís son quen de cartografar. Un destes últimos facedores de portulanos literarios é Séchu Sende, oriúndo daquelas terras, ánima desacougue e ser capaz dos máis insólitos propósitos: domar pulgas, cruzar o Curdistán, enfeitizar cativ@s nas aulas, idear e deseñar os máis fantásticos animais, crear exitosas campañas de publicidade, establecer plataformas sociolingüísticas e ata maxinar xogos de rol.

Entre tanta ocupación, aínda arrinca tempo para escribir poesía e narrativa, por veces vaporizadas dun aquel autobiográfico e xeracional, noutras ocasións deixando voar a imaxinación lonxe dun, mais sempre coa ferramenta do humor como compañeira fiel e unha firme vontade de intervención social máis que evidente.

A foula que tras de si vai deixando o camiñar de Séchu Sende confírmao como voz de rexa independencia tanto no literario coma no sociocultural, razón de peso para que a súa verba aquí mereza visitarse con aplauso.

—¿Cando, onde e da man de quen publicaches os teus primeiros textos?

Os meus primeiros textos publicados forom uns poemas e um relato ganador do Prémio Minerva, quando tinha 17. Logo chegarom as primeiras revistas, A Sacabeira de Viveiro, Ólisbos, em Compostela, e o primeiro livro, Odiseas, com Letras de Cal, aquel projeto coletivo no que aprendim a importáncia da colaboraçom e a generosidade para a difusióm da literatura e da língua com gente como Igor Lugris, Rafa Vilar, Eduardo Estévez ou Carlos Negro, entre outra gente. A estas alturas da noite som as linhas de história que me venhem á memoria, porque de momento som um pouco desmemoriado, a ver se com a idade vou recuperando…

—¿Cal das túas obras cres que foi mellor tratada e cal pasou máis desapercibida para o público e/ou a crítica? ¿Por que cres que recibiron ese trato desigual?

Ultimamente, o tratamento do Made in Galiza pola crítica em Euskal Herria foi mui bom e algo inesperado, onde se converteu nalgo asi como num livro “de culto”, segundo me contam. Foi mui emocionante tamém ser eligido o melhor livro de ano no Curdistám. Aquí na Galiza há muita gente que me demostrou verdadeiro respeito polo Made in Galiza, e desde logo é o livro que me une a mais gente e o mais transformador, começando por mim. Aínda que é difícil ter umha perspetiva acertada, completa, sobre a recepçom das obras, porque a capacidade de avaliaçom está mui limitada pola própria experiéncia persoal. Eu é que estou mui contento com a recepçom dos meus livros e dos textos que comparto na rede social, e graças a eles sinto que formo parte dumha irmandade à que eu de vez em quando aporto palavras ou desenhos. Ademais, o feito de mudar para a prática reintegrata trouxo-me muitas satisfaçons, ao contrario do que se puidesse pensar, porque mais alá da gente mais comprometida ou “fam” do NH, expresar-me com as letras proibidas permitiu-me leva-las a lugares e persoas onde se conhecem pouco e forom recebidas com muita naturalidade, curiosidade e criatividade. Fixo-me um pouco mais livre, talvez, polo que tem de desobediéncia, no sentido mais criativo. Precisava algo assi. Porque gosto de estar com gente desobediente e inconformista. Claro, estas som valoraçons mui persoais às 4.24 da madrugada. Hoje recebim umha carta da prisión de Carlos Varela, um excelente escritor, e sinto que os seus NHs e os meus formam parte dum movimiento criativo com muita força pola transformaçom social do país e doutros valores: mulher, ecologia, direitos civis… Por suposto, todo isso tamém se pode viver com Ñ… mas é um pouco, um pouco diferente… Por outro lado, talvez com Animais puido suceder que algumha gente o confundiu com um livro infantil ilustrado, e de feito sei dalgumha mai que o mercou pensando isso e logo levou umha sorpresa quando começou a ler os textos que, por outra parte, podem fazer-lhe mui bem às crianças, por isso de manter subversiom perto do alcance d@s nen@s. Agora com a Viagem ao Curdistám estou encantado, fai-me sentir como um aventureiro, e essa sensaçom é maravilhosa. E poder compartir com outra gente essa aventura através dum livro tam especial —polo desenho editoral de Laura Calvinho, pola própria viagem gráfica, pola intensidade das vivencias—, puf, fai-me sentir afortunado. Chama-me a atençom que a única crítica –que eu saiba— que saiu da Viagem ao Curdistám fosse na Blimunda, a revista da Fundaçom José Saramago, http://josesaramago.org/416104.html. Talvez os meus NHs afastem os meus livros da crítica galega?

—¿Tes algún hábito singular ou manía á hora de escribir?

Pois o certo é que nom demasiado. Talvez isto que estou a fazer agora, às tantas da noite… Sempre escrevim muitas cousas fatigado, com cansaço físico, e últimamente, desde que som papá, é nesse estado de quase extenuaçom quando o fago, porque muitas vezes é o único momento em que podo escrever, logo da jornada laboral, ocupaçons e cuidado das minhas filhas. A última energía do dia vai-se-me nas palabras que escrevo.

—Nunha antoloxía da nosa literatura recente, ¿ao pé de que autores/as preferirías figurar?

Umm… A literatura recente… Pois ao pé de Celso Fernández Sanmartín, Kiko Neves, Igor Lugris, Olga Novo, Ondjaki, Borrazás, Rui Zinc ou Agualusa… De Xan Castro, de Murado, de Chus Pato, de Angueira, de Carlos Santiago, de Teresa Moure, de Raquel Miragaia, de Irene Portas, de Carlos Quiroga, de Andrea Nunes, de Daniel Salgado, de Gonçalo Tavares, Ramiro Torres, Carlos Meixide, Carlos Solla, Maria Reimóndez e muita outra gente cujos livros me enriquecem. A esta altura da noite, desvelado pola minha filha pequena, sei que poderia continuar a sumar nomes e nomes de muitas geraçons mas devo passar à seguinte pregunta porque senóm nom dou… Seria umha antología mui plural e diversa, com muitssímas vozes. Ah, Maria Lado, ves, já me esquecia. Muitas vezes o mais interessante fica fora das antologias, o mais valioso. Talvez a clave seria elegir o grupo de persoas, ou coletivo humano plural que figesse a antología. Letras de Cal fixo algo parecido daquela. Ou que a figesse um movimiento social assembleariamente, por que nom? ; )

—Se tiveses que historiografar a túa propia traxectoria literaria, ¿que trazos salientarías?

Para mim é mui difícil fazer isso, mas talvez destacaria, entre algumhas cousas que vam ficando menos conhecidas, a minha conexión com o surrealismo. Tamém gostaria, por curiosidade, de que algum dia a tecnología emocional e inteletual permitisse conhecer o grao de impato da obra literaria numha persoa ou numha sociedade. Em que medida um poema pode cambiar a forma de respirar dumha persoa, se isso é possível, por exemplo.

—¿Que lecturas te acompañan decote ou a que escritores/as regresas con frecuencia?

Umm, começando por mulheres, sempre gosto de voltar a Adília lopes, Rea Nikonova, Nadine Gordimer, Camille Jourdy, Sandra Cisneros, Berta Piñán, Gloria Fuertes, Rosalia. Por outro lado, Rubém Fonseca, Mia Couto, Gonçalo Tavares, Pimenta o os relatos curtos de Peixoto… Especialmente a literatura africana em língua portuguesa. Encantaria-me poder ler a literatura africana nas línguas originárias! Logo, aprendo muito com London, Yaser Kemal, Avilés de Taramancos, o indio spokane Sherman Alexie, Le Clezio, Nelson Mandela, a banda desenhada Escalped, os livros de viajes de Benjamim Flao ou Lapin, os livros de Jimmi Liao, as letras da música do país, Sés, Leo, Ataque Escampe… Para mim, quando novo, forom claves Dylan Thomas e Bukowsky e Pepetela, logo Derek Walcott e Darwix. É tanta gente!. Hoje, estou a aprofundar no mundo de Sarrionandia, Sarri, Sarri, Sarri! Seguramente se escrevisse isto outra noite haveria outros nomes e o puzle que acabo de construír teria outras peças.

—¿Que cres que lle falta aínda ás nosas letras e que lle sobra definitivamente?

Pois falta que umha parte da gente que escreve poida participar em igualdade de condiçons com a outra, ou seja, que acabe a discriminaçom por questiom de letras, em todos os sentidos. E claro, falta mais gente que lea livros na nossa língua. Se nom me equivoco de cada 100 livros vendidos na Galiza compram-se na nossa língua 7.

—Se soubeses que o teu tempo se esgota, ¿que non te perdoarías non deixar escrito?

O meu tempo esgota-se dia a dia. Alguns días gostaria de escrever muito mais. Mas nesta etapa da minha vida nom é possivel e muitas vezes o que fago quando nom escrevo é mais valioso. Por exemplo, o ano que menos escrevim foi o ano que pedim umha excedéncia no trabalho para cuidar a minha primeira filha e esse foi o melhor ano da minha vida, mesmo no aspeto criativo e de formaçom como home, como persoa, e polo tanto, como escritor. Agora, dito isto, nestes momentos estou a preparar um pequeno tratado sobre os ouriços cacho, a ver se assi os ceivo e me libero deles na escrita. Seria umha pena nom o dar acabado.

—¿Cal é a túa valoración do noso presente literario?

Está mui condicionado polo conflito político e sociolingüístico. A nossa vida como galegos é mui precária, económicamente, culturalmente e literariamente.

Há muitas persoas desenvolver muita criatividade com as palavras mas cada vez somos menos gente a falar galego… Se houvesse mais persoas galego-falantes, galego-viventes, haveria mais escritores e escritoras a enriquecer a nossa literatura. Entendo que o proceso de normalizaçom da língua e da literatura debe sumar as forças de todos os agentes sociais, galego-falantes, mais galego-falantes, ou mais castelám-falantes, porque som procesos de participaçom social, abertos, implicativos. E de aí que veja a necesidade de que as forças galeguistas mais conscientes caminhemos cara a umha irmandade real. E isso nom se pode conseguir se discriminamos por questiom de letras. Muita gente que escreve fai-no com Ñ e muita gente que escreve fai-no com NH. Por outro lado, os últimos meses resultarom-me mui interessantes e dinámicos, especialmente polos livros da irmandade do NH, que medra cada dia: Ramiro Torres, Verónica Delgado, Eugénio Outeiro, Susana Sánchez Arins, Nunes, Ugia Pedreira, Concha Roussia, e mais, ou o abandono do caminho galego-castelhano por parte de Teresa Moure. Tarda-me muito o seguinte livro de Igor Lugris.

—Se desexas facer algunha outra consideración, túa é a palabra.

Gracinhas pola oportunidade que me dás para poder expresar-me. O certo é que escrever sempre é um reto e a procura da criatividade, a minha paixom. Gostaria de poder falar e falar mais estou mui canso e tenho que descansar. Um abraço.

 

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